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SHODO

Trata-se de uma arte milenar, a qual se utiliza dos caracteres japoneses como forma de expressão artística. Sho da palavra Shodo quer dizer caligrafia e Do significa caminho. Essa arte é vista não só como um meio de comunicação, mas também como uma atividade artística, religiosa e até uma maneira de meditação.
Ela é constante em pleno século XXI, porque é praticada por centenas de milhares de pessoas há mil e quinhentos anos e mantida nas escolas japonesas no currículo escolar, bem como incentivada pelo jornal Mainichi nos concursos anuais. Para se ter uma idéia, no Brasil apenas um grupo seleto de professores e cerca de 500 pessoas praticam o Shodo.
Usando papel branco (washi – feito com fibra de bambu, palha de arroz ou bagaço de bananeira), pincéis (feitos com cerdas de carneiro, coelho, cavalo e rena) e tinta à base de carvão (sumi) o praticante inicia o aprendizado da arte com a escrita katakana (de traços mais simples), avançando para os kanji’s em estilo Kaisho (formas quadradas e traços mais estáticos), passando pelo estilo Gyosho até chegar ao Sosho (formas cursivas e traços mais seqüenciais).
Há dois outros estilos que caracterizam a arte: o Tensho e o Reisho (formas mais primitivas de escrita), usados nos carimbos dos artistas. Esse carimbo é uma espécie de assinatura geralmente batido com tinta vermelha.
O Shodo se caracteriza pelas pinceladas que requer habilidade e concentração, o que dificulta e valoriza a arte. Como em todas as artes, há padrões estéticos e técnicos; contudo, o praticante pode criar seu próprio estilo de acordo com a imaginação, até atingir o patamar de não se prender às regras da ortografia oficial. Apesar de tudo isso, a expressão pode diferir dependendo de quem, do momento em que e o que se pretende escrever.
A caligrafia japonesa compreende cinco estilos diferentes: o Tensho (escrita mais primitiva do oriente), o Reisho (surgida a partir da simplificação do Tensho), o Kaisho (escrita com linhas retas para facilitação da leitura) e o Gyosho e Sosho (ressaltando apenas a expressão estética).
Observe a seguir um breve quadro histórico da caligrafia:
1300 aC – origem da escrita chinesa na dinastia Yin.
221 aC – padronização da escrita (Tensho) em escala nacional na China da dinastia Shang.
202 aC a 220 dC – predomínio do Reisho durante a dinastia Han.
200 dC – valorização da caligrafia como arte no final da dinastia Han e surgimento do Shodo.
229 a 681 – surgimento dos 3 estilos que deram origem ao kanji (na 6ª dinastia): Kaisho, Gyosho e Sosho.
681 a 908 – caligrafia ganha importância na China durante a dinastia Tang porque constituía parte obrigatória da cultura dos intelectuais e das classes superiores.
794 a 1192 – criação do Kana no Japão no período Heian e difusão do Shodo na cultura japonesa.
1192 até séc. XX – Shodo ganha importância no Japão, integrando as principais manifestações religiosas, culturais e artísticas. Até 1950 houve a popularização do Shodo no Japão, com realização de concursos e exposições, bem como as diversificações de estilos.
As ilustrações a seguir traz exemplos de cada um dos cinco estilos, tendo como base o ideograma “SORA”, que significa “Céu”:

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