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ORIGAMI

            Ao pé da letra, origami significa dobradura de papel; vem do verbo oru (dobrar) e kami (papel). Embora tenha se chamado origami quando chegou ao Japão, sua origem é chinesa continental e se confunde com até mesmo a descoberta do papel. Para se ter uma idéia, o papel foi criado por chineses no século II a.C. e levado ao Egito e Europa pelos árabes.
O papiro era uma espécie de papel que foi utilizado na antigüidade pelos egípcios. Esse material não era exatamente um papel tal qual se conhece atualmente porque as fibras não eram manufaturadas, mas sim feito com vegetais entrelaçados.
Embora atribua-se a T’sai Lun no ano 105 a invenção do papel a partir do córtex de plantas, fibras de linho e tecidos velhos, novas descobertas de resto arqueológicos do período Zen-Kan da China (há 2100 anos) mostram que T’sai Lun teria apenas aperfeiçoado a técnica. A corte chinesa passa a usar o papel de linho (saikô) para as mensagens administrativas e os tecidos de seda para os registros importantes.
O washi é o papel japonês fabricado há 1300 anos a partir de fibras de floemas de vegetais (mitsumata). Só em 1873, o Japão absorveu a técnica mecanizada estadunidense se aproximando do papel ocidental de hoje; porém, nunca alcançou a fabricação avançada devido à falta de recursos naturais.
Após sua invenção pelos chineses, o papel chega ao Japão na segunda metade do século VI e é produzido por técnicos coreanos.
Um dos primeiros registros da utilização do papel no Japão data de 645 na reforma Taika do príncipe Shotoku ao se confeccionar formulários oficiais para o censo nacional.
Não só o origami como qualquer outro artesanato é parte da grade de ensino no Japão porque proporciona à criança uma disciplina mental necessária ao seu crescimento e a sua maturidade, além de desenvolver a coordenação motora.
Com o uso da imaginação, hoje o origami é uma excelente terapia ocupacional e proporciona bons exercícios para as mãos, além de seu rico encantamento depois de pronto. No Brasil, há pouca publicação e interesse para o assunto e nesta página se ilustrará como fazer alguns deles, inclusive o mais tradicional e representativo do Japão – o Tsuru (garça).
A figura do Tsuru em Origami é uma das mais populares, pois dentre outras coisas é um origami simpetrico e sua forma básica serve de base para outras figuras de papel, desde animais até plantas.
Antigamente se costumava pendurar estas aves de papel no teto para distrair as crianças, especialmente os bebês e também eram oferecidas nos templos e altares, juntamente com as orações, para pedir proteção.
Acredita-se que originalmente elas tinham apenas a função decorativa e, só mais tarde, foram associadas às orações.
Atualmente, nas festas de Ano Novo, Casamento, Nascimento e em Comemorações Festivas em geral, a figura do Grou está presente nos enfeites ou nas embalagens de presentes, simbolizando saúde e fortuna. Costuma-se dizer que esta ave é o símbolo da longevidade. Quando uma pessoa se encontra hospitalizada, oferece-se mil dobraduras de Grou para que ela se restabeleça o quanto antes. Ao dobrar cada figura, a pessoa deposita nela toda a fé e esperança na recuperação do doente.
Nos monumentos a Paz em Hiroshima (uma das cidades em que caiu a bomba atômica) há vários conjuntos de mil Grous, vindos de todas as partes do Japão. São feitos por alunos de escolas, associações, enfim, por um grupo de pessoas que se uniram para pedir a Paz.
Para a confecção destas mil aves é preciso união, esforço e fé de muitas pessoas, formando-se assim uma corrente de pensamento positivo. 
Depois da destruição de Hiroshima em 1945, muitas doenças surgiram entre os sobreviventes. Uma das vítimas, Sadako Sassaki (com dois anos no dia da explosão) começou a sentir os efeitos da Bomba Atômica aos 12 anos; seu diagnóstico: Leucemia.
Quando Sadako estava no hospital, um amigo trouxe-lhe alguns papéis coloridos e dobrou um pássaro (TSURU). Disse que esse pássaro é sagrado no Japão, vive mil anos e tem o poder de conceder desejos. Se uma pessoa dobrar mil Tsuru’s e fizer seu pedido a cada um deles, seu pedido será atendido.
Sadako começou então a dobrar Tsuru’s e pedir para sarar, porém sua enfermidade se agravava a cada dia. Sadako então desejou pedir para a Paz Mundial. Sadako dobrou 964 Tsuru’s até 25/10/1955, quando morreu. Seus amigos dobraram os Tsuru’s restantes a tempo para seu enterro. Mas eles queriam mais, desejaram pedir pôr todas as crianças que estavam morrendo em conseqüência da explosão da Bomba Atômica. Então formaram um clube e começaram a pedir dinheiro para um monumento.
Estudantes de mais de 3.000 escolas no Japão e de 9 outros países contribuíram e em 5 de maio de 1958, o Monumento da Paz das Crianças foi inaugurado no parque da Paz de Hiroshima. Todos os anos no Dia da Paz (06/08) pessoas do mundo inteiro enviam Tsuru’s de papel para o Parque.
As crianças desejam espalhar ao mundo a mensagem esculpida à base do monumento de Sadako:
Este é nosso grito
Esta é nossa oração:
Paz no Mundo.

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