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NOMES E SOBRENOMES – SIGNIFICADOS

            Vamos fazer um teste de sócio-perspicácia?
Se fosse apresentado a pessoas com os seguintes sobrenomes, saberia dizer a origem de cada uma delas? Então vamos lá:
Castelani, Gorbatchov, Halif, Della Torre, MacQueen, Poirot, Einstein, Chung Li, Zulu, etc.
É claro que com um pouco de conhecimento, você diria italiana, russa, árabe, espanhola, inglesa, francesa, alemã, chinesa, africana, etc, certo? Pois bem, com os sobrenomes japoneses acontece o mesmo, ou seja, dá pra saber a origem da região pelo nome. Isso se deve a miscigenação ocorrida há centenas de anos. Vejamos alguns exemplos a considerar a primeira sílaba do nome:

A, ka, sa, ta, na, ha, ma, ya, ra e wa – origem nordestina do Japão (cavaleiros);
I, ki, chi, ni, mi e ri – origem nativa adiantada (agricultores);
U, ku, su, tsu, nu, fu, mu, yu e ru – origem patriarcal continental (fidalgos);
E, ke, se, te, ne, he, me e re – origem do sudoeste japonês (plebes);
O, ko, so, to, no, ho, mo, yo e ro – origem nordestina japonesa (cavaleiros);
Shi pertence ao grupo do “A” e hi pertence ao grupo “O”.
Por outro lado, no campo de sobrenome, o Japão é um dos países com maior número deles – 300 mil, aproximadamente. E não diferente da peculiaridade dos nomes (namae), os sobrenomes (myouji) também são capazes de contar a história e a origem da família por si só. Em muitos dos casos, é possível até encontrar o brasão (kamon) que representa a família até hoje, espalhados pelos pontos turísticos do país. Hoje, o registro do Koseki Tohon (organizado pelas prefeituras japonesas desde a Era Meiji – 1868 a 1912) tem a função de facilitar esse trabalho, dentre outras.
Antes dessa Era possuir sobrenomes no Japão era privilégio de nobres e classes mais favorecidas, concedidos pelo imperador de acordo com a linhagem ou a função exercida no país. A quem pudesse comprar esse “direito”, como médicos, monges, guerreiros e etc, também conseguiam um sobrenome, ao passo que as pessoas mais simples eram conhecidas pelas características ou peculiaridades dela. Um exemplo modesto é o do pseudônimo deste autor: HIROSHI YAMADA, ou seja: o Hiroshi que nasceu (ou que mora) no Arrozal da Montanha:
山 = YAMA = Montanha
田 = TA   = Arrozal

Os japoneses procuram equilibrar a quantidade de ideogramas do sobrenome com os do nome. Assim, um sobrenome que use dois kanji’s, por exemplo, trará provavelmente um nome escrito em três kanji’s para totalizar comumente cinco, ao todo. Um sobrenome de quatro kanji’s, por exemplo, traz um nome de apenas um, o que já é mais raro.
Só em 1870 é que a obrigatoriedade do resgistro de sobrenome foi estipulada para que se pudesse organizar o país. Assim, há quem mantiveram seus sobrenomes de profissão, os que já o tinham e não mudaram, os supersticiosos que procuravam conselhos de monges para a escolha de um, os que protestavam contra a imposição do governo, escolhendo exóticos sobrenomes como Hanage (pelo do nariz), Uki (Infelicidade) ou Rusu (Ausente) e os que trabalhavam para donos de terra e pediram a este que escolhesse um para eles. Numa dessa, porém, vilas inteiras acabaram recebendo o mesmo sobrenome.
Um dado curioso é o resultado dessa repentina mudança e preocupação da população em cumprir a lei – 7 mil dos 300 mil nomeiam 96% da população e o resto os outros 4%. Sem contar que cada sobrenome pode ser escrito com diferentes ideogramas (Kanji), dando outro significado a cada um deles
Atualmente no Japão tem ocorrido certo problema com o registro quando da contração de matrimônio, por exemplo, porque a lei não permite que cada um dos cônjuges permaneça com o seu sobrenome, tendo de alguém nesse caso ceder e dado a situação patriarcal em que o Japão se encontra, o nome dos homens geralmente prevalecem.
Outro problema também surgido é o que este estudante que vos escreve passou quando precisou se registrar no Japão. Como ele, vários estrangeiros possuem “nomes do meio” e nas fichas esse campo não existia. Agora se tem atentando para esse detalhe e pesquisas revelam que a aceitação dos japoneses para manter os sobrenomes depois de casados, são bem aceitas; mas daí a dizer que há possibilidades de japoneses adotarem o costume de “nome do meio” como fazem os descendentes no Brasil, isso ainda está longe.
No Japão, é muito comum a troca de cartões de visita (Meishi) e quando um nome apresenta um registro em kanji diferente do padrão, os japoneses têm por costume explicar e enfatizar a pronúncia correta.
A numerologia também está presente nos sobrenomes japoneses. Eles atentam para o número de traços, nesse caso, que representa a quantidade de sorte transmitida pelos antepassados da pessoa. Nesse caso, imagine a sorte de quem tem o 10º sobrenome mais popular do país: SAITO – que quer dizer “Glícínia Afetuosa”, escrito com ideogramas que somam trinta traços! E ainda nessa comparação, imagine a sorte do coitado do YAMASHITA, o 26º nome mais popular do país significando “a parte de baixo da montanha”, escrito com kanji’s que totalizam apenas seis!

斎藤 = SAITO          山下 = YAMASHITA

Algumas curiosidades neste mundo dos sobrenomes merecem destaque. Uma delas, por exemplo, são os sobrenomes que apresentam ideogramas que, reunidos, formam grupos de universais semânticos interessantes. A exemplo disso, cita-se o HITOTOSE, escrito com os ideogramas das Quatro Estações: 春夏秋冬 (Primavera, Verão, Outono, Inverno). Ou ainda o YOMOHIRO, composto pelos kanji’s dos pontos cardeais: 東西南北 (Leste, Oeste, Sul, Norte). Um mais raro é o TSUMOI, escrito com os kanji’s dos múltiplos de dez: 百千万億 (Cem, Mil, Dez Mil, Cem milhões).
Outra curiosidade bastante interessante diz respeito ao sobrenome mais comprido já resgistrado: o SAEMONSABUROU, escrito com cinco ideogramas (左衛門三郎). Numa dessa, aquela lógica dos cinco kanji’s para sobrenome, deixaria a pessoa sem nome, não?!
Alguns sobrenomes usam ideogramas de difícil leitura, como é o caso do jogador debeisebol do Hiroshima Toyo Carp – EISHIN SOYOGI (梵), que significa algo como “a essência da criação do Universo”.
Uma curiosidade engraçada é a possibilidade de se fazer trocadilhos com os sobrenomes japoneses que coincidem com palavras em Português, como é o caso de “Shibata”, “Ando”, “Takada”, “Kubo” e “Arai”, respectivamente o 62º, 71º, 75º, 89º e 99º sobrenome mais popular do Japão, citado na tabela da pesquisa logo abaixo.
Se houvesse um troféu para o kanji que mais aparece nos sobrenomes, este sem dúvida iria direto para o FUJI (藤), que significa “Glicínia” (uma espécie de planta trepadeira) e que apresenta leituras de DO e TO, conforme o caso. Isso se deu devido ao clã Fujiwara que comandava a corte imperial na Era Heian (794-1185) e, então, para diferenciar um dos outros, os “Fujiwara” que moravam em Ise (伊勢), por exemplo, tornaram-se os “ITO” (伊藤) .
A seguir, a título de curiosidade, cita-se os 100 sobrenomes mais populares do Japão, publicados pela Revista Made in Japan, edição 116:

1. SATO
2. SUZUKI
3. TAKAHASHI
4. TANAKA
5. WATANABE
6. ITO
7. YAMAMOTO
8. NAKAMURA
9. KOBAYASHI
10. SAITO
11. KATO
12. YOSHIDA
13. YAMADA
14. SASAKI
15. YAMAGUCHI
16. MATSUMOTO
17. INOUE
18. KIMURA
19. HAYASHI
20. SHIMIZU
21. YAMAZAKI
22. NAKAJIMA
23. IKEDA
24. ABE
25. HASHIMOTO

26. YAMASHITA
27. MORI
28. ISHIKAWA
29. MAEDA
30. OGAWA
31. FUJITA
32. OKADA
33. GOTO
34. HASEGAWA
35. ISHII
36. MURAKAMI
37. KONDO
38. SAKAMOTO
39. ENDO
40. AOKI
41. FUJII
42. NISHIMURA
43. FUKUDA
44. OOTA
45. MIURA
46. FUJIWARA
47. OKAMOTO
48. MATSUDA
49. NAKAGAWA
50. NAKANO

51. HARADA
52. ONO
53. TAMURA
54. TAKEUCHI
55. KANEKO
56. WADA
57. NAKAYAMA
58. ISHIDA
59. UEDA
60. MORIMA
61. KOJIMA
62. SHIBATA
63. HARA
64. MIYAZAKI
65. SAKAI
66. KUDO
67. OKOYAMA
68. MIYAMOTO
69. UCHIDA
70. TAKAGUI
71. ANDO
72. SHIMADA
73. TANIGUCHI
74. OONO
75. TAKADA

76. MARUYAMA
77. IMAI
78. KAWANO
79. FUJIMOTO
80. MURATA
81. TAKEDA
82. UENO
83. SUGUIYAMA
84. MASUDA
85. KOYAMA
86. OOTSUKA
87. HIRANO
88. SUGAHARA
89. KUBO
90. MATSUI
91. CHIBA
92. IWASAKAI
93. SAKURAI
94. KINOSHITA
95. NOGUCHI
96. MATSUO
97. KIKUCHI
98. NOMURA
99. ARAI
100. WATANABE

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